domingo, 19 de fevereiro de 2017

A DOUTRINA DO DÍZMO FOI ESTABELECIDA ANTES DA LEI DO AT?



Abraão e Melquizedeque

Algumas pessoas ao perceberem que realmente não há base no NT para doutrinar os fiéis na  questão do dízmo, incentivando-os a contribuir com 10% do que ganham, recorrem aos fatos em Gênesis ocorridos antes da promulgação da lei, para argumentarem que antes mesmo da lei dar o dízimo já era algo  comum. Essa afirmação está baseada no dízimo dado uma única vez por Abraão a Melquizedeque e ao voto feito por Jacó a Deus


No livro de Gênesis 14:18, 20, Melquizedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho a Abraão; ele era sacerdote do Deus Altíssimo. O texto diz: "E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus adversários nas tuas mãos. E de tudo lhe deu Abraão o dízimo". A pergunta que faço é: Por que Abraão deu o dízimo a Melquizedeque?

Em primeiro lugar é importante saber que o ato de dizimar era uma prática comum entre as nações da antiguidade, como afirma o Dr. Davis:

“Oferecia-se certa quantidade dos produtos produzidos ou dos ‘despojos da guerra’. Os Lídios ofereciam a décima parte das presas. Os fenícios e os cartagineses enviavam anualmente a Hércules, a décima parte de suas rendas. Os egípcios deviam contribuir com a ‘quinta’ parte das colheitas para Faraó” (Davis, John. Dicionário. P.1960. V. tb. Gn 47:24 ).

Em outras palavras, era uma prática cultural daqueles dias. No caso de Abraão, muitos acreditam que aquele ato, realizado antes que a lei fosse promulgada por meio de Moisés, é uma prova de que o ato de dizimar faz parte do pacto feito por Deus com o patriarca. Isso consequentemente "obrigaria" a seus descendentes em Cristo (os cristãos) que estão sob a nova aliança a dizimarem. No entanto há as seguintes objeções: a) Deus chamou Abraão, o justificou e lhe fez promessas, estabelecendo com ele um pacto, bem antes que ele desse o dízimo a Melquizedeque ( Gl 3:8,18; Gn12:2), o que significa que o ato de dizimar de forma alguma faz parte da aliança entre Deus e Abraão.

b) De Harã Abraão saiu com todos os seus bens, mas sem dar o dízimo a ninguém (Gn12:4,5). Em razão da fome que havia na terra, Abraão se deslocou para o Egito, lá ele adquiriu muitos bens, estava rico (Gn 12:16;13:1,2), mas não vemos nenhum relato nos informando que ele tenha dado o dízimo a mais alguém do que ganhou.

c) A razão de Abraão dizimar a Melquizedeque está explícita no texto, vejamos: "Melquizedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; era sacerdote" (Destaque do autor). Aqui está a primeira razão, foi pelo fato de Melquizedeque ser um sacerdote. O sacerdote era tido como uma pessoa sagrada, que servia de mediador entre o homem e Deus. Porém, mesmo sendo Melquisedeque um sacerdote, Abraão não daria o dízimo a ele, a não ser que ele servisse ao seu Deus, pois existiam vários deuses já naquele tempo, e consequentemente, vários sacerdotes.

Do Deus Altíssimo. Observe nos versículos 19 e 20 que Melquizedeque abençoou a Abraão fazendo menção ao "Deus altíssimo", como sendo o Criador dos céus e da terra e Soberano, pois, "entregou os teus adversários nas tuas mãos". Portanto, Abraão notou que além de sacerdote, Melquizedeque conhecia e servia ao mesmo Deus que ele então não teve dúvida, tal sacerdote podia receber o seu dízimo (14:22 ). Observe ainda, que antes do rei Melquizedeque vir até Abraão, o rei de Sodoma já havia se antecipado, vindo receber o dízimo dele, pois, como já sabemos, dizimar era uma prática comum na antiguidade, fazia parte da cultura daquela época oferecer certa quantidade dos "despojos da guerra", e foi por esta razão que o rei de Sodoma veio ao encontro de Abraão (Gn 14:17). Veja o que ele diz: "Dá-me as pessoas, e os bens ficarão contigo" (Gn 14:21). Porém, Abraão mostrou que considerou Melquizedeque como superior, por isso lhe deu o dízimo "de tudo", mas, quanto ao rei de Sodoma, ele não mostra submissão, mas trata-o de igual para igual, e não quis nada que pertencesse aquele rei.

Observe ainda que, após aqueles acontecimentos, Abraão não dízimou a mais ninguém, talvez ele até fizesse isso se reencontrasse Melquizedeque, mas isso não ocorreu, o que prova que ele não tinha o costume de dizimar, também não há registros de que Ló, o sobrinho de Abraão, nem Sem, com os seus descendentes, nem os descendentes de Jafé ou de Cão tiveram tal costume. Nem mesmo Noé e nem a população humana, pré-diluviana foram dizimistas; se fossem, certamente isso seria relatado, embora o ato de dizimar fosse praticado entre outros povos na época de Abraão. Acredito que fariam isso se encontrasse um sacerdote que servisse ao Deus verdadeiro, como Melquizedeque servia.

Cultura é local, Doutrina é universal

No que diz respeito à “cultura” e “doutrina”, é aproveitável dizer aqui que doutrina é universal e nunca deixa de ser doutrina com o passar dos tempos. O que foi doutrina nos tempos bíblicos, se tiver valor normativo, tem que ser doutrina ainda hoje, em qualquer lugar do mundo. Já a cultura (usos e costumes) tem outra característica. O Dr. James Braga define cultura como: "as diferentes características de um grupo racial, religioso ou social. Isto é, aquilo que o povo faz, como vive, como pensa e como age."  (BRAGA, James. Como estudar a Bíblia, P. 41)

Se não há uma ordem na narrativa, não é doutrina

Além do que foi dito sobre cultura, devemos saber que entender o que o escritor de um determinado livro quer dizer em uma passagem, é um desafio que requer, entre outras coisas, que o leitor saiba perceber quando trata-se apenas de um relato histórico e quando realmente há uma ordem expressamente dada por Deus, tornando o ato ou o ensino não só uma doutrina para aquela época, mas para todos os tempos, inclusive para a nossa época também.

Algumas doutrinas têm caráter universal. Transformar um simples relato histórico em doutrina sem que haja uma ordenança dada por Deus para isso, é violar os princípios da hermenêutica, bem como ignorar o aspecto apenas cultural da passagem. O escritor de Gênesis apenas expôs uma verdade descritiva, isto é, ele apenas relatou um acontecimento histórico que foi o episódio envolvendo Abraão e Melquisedeque. Conforme os mestres em hermenêutica, há na Bíblia Sagrada verdades descritivas e prescritivas:

"As descritivas relatam o que foi dito ou o que aconteceu em determinado tempo. As prescritivas são tidas como
articuladoras de princípios" (VIRKLER, Henry. Hermenêutica. Princípios e processos de interpretação bíblica. P.65)

“Uma narrativa do AT não ensina diretamente uma doutrina [...] registram o que aconteceu não necessariamente o que deveria ter acontecido ou que deve acontecer todas as vezes.”( FEE, Gordon D. e STUART, Douglas. Entendes o que lês? P.69)

Não fazemos isso porque não existe uma ordem de Deus para isso, trata-se de uma verdade descritiva, e não prescritiva. Do mesmo modo devemos entender o dízimo de Abraão.

O dízimo não faz parte da aliança entre Deus e Abraão. Note que a circuncisão sim, pois Deus ordenou a prática dela a Abraão, como sinal da aliança (Gn 17: 9-14). A partir daquele dia, a circuncisão passou a fazer parte da vida de todos os descendentes de Abraão, e se alguém se recusasse, por alguma razão, a fazer a circuncisão, poderia até mesmo morrer. Esta sim é uma verdade prescritiva. Porém, note que ela não é aplicável a nós cristãos, mesmo sendo uma ordem de Deus (EX 4: 24 - 26), por que o dízimo, porém, tem que ser? Portanto, não se deve obrigar o pagamento do dízimo aos cristãos, com base no texto de Gn 14:18-20.

Por fim, mesmo que uma passagem possua uma verdade prescritiva, ou seja, que traga uma  ordem de Deus exigindo obediência, o leitor deve se perguntar se tal ordem é aplicável para os nossos dias, ou se foi válida apenas para aquela época.

O voto de Jacó

Em Gênesis 28:20-22 temos o seguinte relato sobre Jacó:

"Então Jacó fez um voto, dizendo: 'Se Deus estiver comigo, cuidar de mim nesta viagem que estou fazendo, prover-me de comida e roupa, e levar-me de volta em segurança à casa de meu pai, então o SENHOR será o meu Deus. E esta pedra que hoje coloquei como coluna servirá de santuário de Deus; e de tudo o que me deres certamente te darei o dízimo"

Trata-se de um voto feito por Jacó e, conforme o texto, fica evidente que Jacó fez o voto voluntariamente, isto é, Deus não ordenou que Jacó voltasse e muito menos que os seus descendentes cumprissem em suas gerações, o voto de Jacó que consistia, entre outras coisas, em dizimar. Jacó não estava representando ninguém além de si mesmo naquele ato. Se alguém quiser insistir no fato de que deve tomar tal acontecimento, como exemplo para o pagamento do dízimo, então não pode ignorar outras situações em que outros votos também foram feitos por outras razões, e tomá-los como exemplo para praticar as mesmas coisas. Você estaria disposto a seguir o exemplo de Jefté? (Jz 11: 29-40). Teria que estar disposto a fazer o que ele fez, pois ele também fez um voto, logo, isso deveria tornar-se uma base para oferecermos a Deus tudo o que víssemos ao chegarmos em casa. Coitado do cachorro. Mas voto não é obrigatório pra ninguém “O crente não é obrigado a votar”. Ninguém é obrigado a fazer nenhum tipo de voto; não que não deva fazer, desde que faça por iniciativa própria. Naquele ato de Jacó, prevalece ainda a ideia de que dizimar não era uma obrigação para as pessoas daquela época, embora existisse tal costume, principalmente por ter sido um voto. Além disso, Jacó impôs condições para cumprir o seu voto:

“Se estiver comigo...” Ele pediu a companhia de Deus. “...cuidar de mim nesta viagem...” Ele pediu o cuidado de Deus. “...prover-me comida e roupa... ” Ele pediu a providência de Deus para suas necessidades pessoais. “...e levar-me de volta em segurança à casa de meu pai.” Ele pediu a proteção de Deus para voltar.

Essas foram as exigências de Jacó, se Deus concedesse tais exigências, Jacó iria assumir os  seguintes compromissos. “...então o SENHOR será o meu Deus...” Aquele era um mundo politeísta em que muitos deuses eram adorados, mas Jacó escolheu servir ao Deus de seus pais, Javé. O Deus de Abraão e de Isaque seria também o Deus de Jacó.

“...então o SENHOR será o meu Deus...” Aquele era um mundo politeísta em que muitos deuses eram adorados, mas Jacó escolheu servir ao Deus de seus pais, Javé. O Deus de Abraão e de Isaque seria também o Deus de Jacó. "... e de tudo o que me deres certamente te darei o dízimo". E por fim, ele fez o voto de dizimar tudo.

Voto é um assunto muito particular, é um trato que o fiel faz com Deus e compromete-se a cumpri-lo, uma vez que Deus o atenda. Note que o voto é cumprido sempre "após" a resposta de Deus, e não antes. Se tem uma coisa que eu não duvido é que se o patriarca Jacó vivesse em nossa época e alguns crentes o ouvisse fazendo esta oração, certamente ele seria criticado por causa do seu "se", e por não ter fé para pagar o voto antes, de receber a bênção.

Portanto, pelo que sabemos, não se pode exigir a entrega do dízimo com base nessa passagem, até porque, não era realmente obrigatório como confirma o Dr. Kidner em seu comentário sobre esta passagem: “A dádiva do dízimo era voluntária antes de ser ordenada”(Genêsis. Introdução e comentário- Edições Vida Nova. Vol 1.)




Gênesis é um dos livros da Lei

Aqueles acontecimentos fazem parte do livro de Gênesis, e o livro de Gênesis é o primeiro dos cinco livros iniciais da Bíblia, ou seja, da lei; portanto, eu posso afirmar com certeza, mesmo que Abraão tivesse sido de fato um dizimista religioso frequente e sua experiência tivesse servido de norma com valor estatuário ( o que já sabemos que não ), nem mesmo isso teria força estatuária para a igreja, porque a lei foi cumprida por Cristo, e nós nos relacionamos com Deus por meio da fé em Cristo, não pelas obras da lei, conforme os textos abaixo: "Assim, meus irmãos, também vós morrestes relativamente a lei" ( Rm 7:4 ARA ).


“Quero apenas saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei, ou pela pregação da fé?" (Gl 3:2 ARA). “De Cristo vos desligastes vós que procurais justificar-vos na lei, da graça decaístes” (Gl 5:4 ARA). Portanto, o dízimo que Abraão deu a Melquisedeque e o dízimo que Jacó deu a Deus, em cumprimento do seu voto, são fatos pertencentes à lei e, como podemos ver claramente, o cristão esta livre da lei. Se o cristão for obrigado a pagar o dízimo com base na experiência de Abraão e Jacó, pelo fato de terem eles dizimado, antes da lei ser promulgada, então o cristão também terá que cumprir outros requisitos como:

A observância do sábado

Antes de a lei ser promulgada no Sinai (Ex 20:1-17), o sábado não foi instituído como o dia de descanso: “E havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que tinha feito descansou. E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que como Criador fizera" (Gn 2: 2,3 ARA). O texto diz apenas que Deus descansou. Não há nenhuma citação de que alguém guardava o sábado antes da lei. As conclusões são apenas hipotéticas. De fato isso é até mesmo confirmado por Eusébio de Cesaréia (veja o capítulo 6 ).

Note que não há uma ordem explícita para que os futuros habitantes da terra guardem o sábado. O escritor está apenas narrando um fato, da mesma forma como ocorreu nas experiências de Abraão e Jacó, nos quais não há também uma ordem explícita que induza a igreja a pagar o dízimo como uma obrigação. Então, se o cristão está obrigado a pagar o dízimo com base nas experiências de Abraão e de Jacó, por que ele não guarda também o sábado? Por acaso os exemplos dados por Abraão e Jacó são mais importantes na vida cristã do que o exemplo divino, a saber, que Deus descansou no sábado? Se eu pago o dízimo, mas não guardo o sábado, (refiro-me ao 7º dia como era observado conforme o AT), estou trocando seis por meia dúzia, essa é a verdade.

O sacrifício de animais (Gn 4:4)


O texto diz que Abel ofereceu as primícias do seu rebanho em oferta a Deus, e Deus se agradou (Hb 11:4). Isso ocorreu antes da lei ser promulgada, portanto, nós teríamos que continuar praticando o sacrifício de animais a Deus, ainda em nossos dias. Isso os cristãos também não fazem. Por quê? Deveríamos seguir o exemplo de Abel, assim como queremos seguir os exemplos de Abraão e Jacó, ocorridos antes da lei ser promulgada no Sinai, a menos que nós tenhamos o direito de escolher o que achar conveniente aos nossos interesses e transformá-lo em artigo de fé. Temos?

A circuncisão (Gn 17: 9 - 14)

Como podemos ver no texto acima, na Bíblia a circuncisão foi instituída também antes da lei ser promulgada no Sinai, observe que o versículo finaliza dizendo: “A minha aliança estará na vossa carne e será aliança perpétua" (v. 13). Perpétuo significa que “dura para sempre”. Aqui há uma ordem expressa de Deus que, deveria durar para sempre mesmo após a graça suplantar a lei no Calvário, pois a circuncisão foi instituída antes da lei (Gl 3:17). Mas é interessante que, mesmo tendo sido claramente ordenada por Deus, os cristãos são induzidos a se circuncidarem, por quê? O batismo assumiu o lugar da circuncisão? E nada assumiu o lugar do dízimo, como uma obrigação? Se o cristão está obrigado a pagar o dízimo, por ter sido um ato praticado por Abraão e Jacó antes que a lei fosse promulgada no Sinai, então a bem da verdade, ele também deve praticar a circuncisão, principalmente por haver uma ordem expressa de Deus:

“Guardarás a minha aliança, tu e a tua descendência no decurso das suas gerações.” “Esta é a minha aliança que guardareis entre mim e vós e a tua descendência todo macho entre vós será circundado” (Gn 17:9, 10 ARA).

Se você leu tudo até aqui, pode constatar que mão é tão simples assim argumentar que a doutrina do dízimo precede a promulgação da Lei e que, por isso deve ser observada, porque se fôssemos levar por esse ponto de vista, teríamos que arcar com as implicações, ou seja, não apenas a prática do dízimo teria que ser observada como outras práticas, essa seria a atitude honesta a ser tomada.


Como entender Ml 3:7-10 

O DÍZIMO NO NOVO TESTAMENTO

Riqueza: Bênção de Deus ou deus em forma de bênção? 

JESUS É LÚCIFER! 

PEDRO DESMASCARA OS FALSOS PROFETAS!   

Textos que exigem uma explicação

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

A LEI DO ANTIGO TESTAMENTO SEGUNDO O NOVO TESTAMENTO

Por favor, tenha paciência e tenha coragem para ler o assunto todo porque isso lhe será muito útil. Tire um tempo só para essa leitura. Esteja com a sua Bíblia em mãos para conferir os textos citados, pois são muitos e não dá para citá-los todos aqui, para não ficar muito extenso. 

Você sabia que nos primeiros anos da igreja, quando os apóstolos estavam vivos e pregando, muitos cristãos judeus tentaram fazer com que os cristãos gentios observassem a lei do AT? Sim, isso está registrado no livro dos Atos dos Apóstolos capítulo 15. Existiam muitos cristãos judeus que queriam judaizar o evangelho uma das razões de Paulo escrever a carta aos Gálatas, e foi essa razão daquele sínodo, daquela primeira reunião entre os primeiros líderes, entre eles Pedro e Tiago, também chamada de o primeiro concílio de Jerusalém. Ainda hoje isso acontece, infelizmente. Há os cristãos, por exemplo, que acreditam que devemos observar o sábado ainda em nossos dias. Mas há aqueles cristãos que em determinadas situações dizem que não devemos observar o sábado pois estamos livres da lei do AT, mas em outras situações pregam doutrinas da lei do AT. São seletivos, mas isso está errado. Vamos analisar, portanto, o que o Novo Testamento diz sobre a Lei do AT, no que diz respeito a sua observância. Na verdade, uma simples leitura da carta de Paulo aos Gálatas já seria suficiente, mas ai surgem umas ideias falando de "lei cerimonial" e "lei moral", para confundir o leitor da Bíblia. Portanto, vamos lá.



O uso do termo no NT grego Segundo o dicionário VINE, a palavra grega μ (nomos), é usada nos textos a baixo acompanhada com artigo definido “a “ para se referir a “lei” do Sinai. Veja os textos: Mt 5:18; Jo 1:17 ; Rm 2:15; 18, 20, 26, 27,; 3:19; 4:15; 7:4, 7, 14, 16, 22; 8: 3, 7; 3:10, 12, 19, 21, 24, 5:3 Ef 2:15; Fp. 3:6; 1 Tm 1:8; Hb 7:19 ; Tg 2:9.

Em outras passagens referindo-se ao Pentateuco e aos salmos como livros que a lei contém. Veja os textos: Mt 5:17; 12:5 ; Lc 16:16 ; 24:44 ; Jo. 1:45; Rm 3:21 ; Gl 3:10; Jo 10:34 ; 15:25).

O próprio dicionário Vine, assim como outras fontes, confirma o fato de que onde é citada a palavra grega μ “nomos” no NT refere-se ao AT, ou aos 5 primeiros livros da Bíblia:“Disso tudo o que se pode deduzir é que a lei, em seu sentido mais abrangente, era um título alternativo de 'As Escrituras ” ( Dicionário Vine ).


O NOVO TESTAMENTO  FALA DA LEI MORAL, LEI CIVIL OU DA LEI CERIMONIAL?
Alguém sugeriu que a lei do Antigo Testamento pode, significativamente, dividir-se em três aspectos: moral, civil e cerimonial. Essa divisão da lei é aceita e útil para uma boa compreensão dos seus aspectos, no entanto, quando a palavra “lei” é citada, tanto no VT, como no NT, ela traz em si a ideia da lei em sua totalidade, envolvendo os aspectos cerimonial, civil e moral. Quando se menciona a palavra “lei” na Bíblia, é para se referir aos cinco primeiros livros do VT, que os judeus chamam de “Torá”,  como também pode referir-se a todo o AT, como afirma o renomado escritor Abraão de Almeida: “Nas 400 vezes em que a palavra 'lei' aparece na Bíblia, em nenhuma só se refere ao decálogo (os dez mandamentos), como sendo a lei moral, e ao restante como sendo a lei, antes, refere-se a toda a lei contida no Pentateuco e nunca a uma parte dela” (ALMEIDA, Abraão de. O Sábado a Lei e a Graça, P.110). Portanto,  não consta no Novo Testamento essa divisão. Não vemos nem Jesus nem os apóstolos nem algum escritor se referindo a lei do AT de alguma forma específica, como se estivesse falando apenas de alguma lei, moral, de alguma lei, civil ou de alguma lei cerimonial.

O QUE JESUS DISSE EM LUCAS 16:16?

O referido texto diz o seguinte: “A lei e os profetas vigoraram até João; desde esse tempo vem sendo anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem se esforça por entrar nele” (destaque meu). 

Para facilitar a sua compreensão você deve entender que as expressões “Antigo Testamento”  e "Novo Testamento" usadas em nossas Bíblias para distinguir as Escrituras judaicas das Escrituras cristãs, designando a antiga e a nova aliança, não eram usadas nos tempos do Senhor Jesus. Elas vêem sendo usadas, nesse sentido,  a partir do fim do século II d.C., na Antiga Latina, versão da Bíblia redigida antes do século II, sendo traduzida da Septuaginta. Embora, como veremos mais a frente, Paulo tenha usado, exatamente, para dizer que a lei do AT foi abolida por Cristo.

Os personagens dos 27 livros do NT, bem como os escritores, usavam diferentes palavras e expressões para se referirem ao AT. Por favor abra a sua bíblia e verifique os seguintes textos: Escrituras (Mt 21:42; 22:29; Jo 10:35; At 17:2; 17:11; Lc 24:27). Lei (Jo10: 34; 12:34; 1Co 14:21; Mt 5:18). Note que a palavra lei nestes textos tem um sentido mais amplo, não se referindo apenas aos cinco primeiros livros do AT (a Torá ), mas a todo o Velho Testamento. A lei e os profetas (Mt 5:17; 7:12; Lc 16:16; At 24:24; 13:15). Os profetas (Mt 26:56; Lc 24:25). Oráculos de Deus (Rm. 3:2; Hb 5:12). Também a expressão “Está Escrito” (Mt 4:4 e referências).

O que Jesus disse, portanto, é que o AT (A lei e os profetas) perdeu o seu valor normativo, isto é, não serve como  base doutrinária na relação entre Deus e o homem cristão. Se o Antigo Testamento vigorou somente até João, devemos evitar todas as doutrinas baseadas no AT, até mesmo o famoso texto de Malaquias 3:7-10, uma vez que ele pertence ainda ao VT, com exceção daquelas que foram ensinadas e ordenadas para a igreja no Novo Testamento. Lembre-se, nem sempre o fato de um assunto está sendo citado ou discutido por algum escritor ou personagem do Novo testamento, significa que tenha se tornado doutrina para a igreja. É preciso que haja uma ordem divina expressa para a igreja dada através de Jesus ou de um dos apóstolos. Citar um assunto ou uma passagem não é o mesmo que ordenar. Citar é diferente de ordenar. 

PAULO ESTÁ FALANDO DA LEI CERIMONIAL OU DA LEI MORAL?

Já vimos acima que a palavra lei se refere a toda a lei do AT e não a alguns aspectos da lei mas vale apena verificar com cautela  as palavras de Paulo em romanos Rm.7:1-6: 

Meus irmãos, vocês todos podem compreender muito bem o que vou dizer. Vocês conhecem as leis e sabem que elas só têm poder sobre uma pessoa enquanto essa pessoa está viva. Por exemplo, a mulher casada está ligada pela lei ao marido enquanto ele estiver vivo; mas, se ele morrer, ela estará livre da lei que a liga ao marido. De modo que, se ela viver com outro homem enquanto o marido estiver vivo, ela será chamada de adúltera. Mas, se o marido morrer, ela estará legalmente livre e não cometerá adultério se casar com outro homem. O mesmo acontece com vocês, meus irmãos. Do ponto de vista da lei, vocês também já morreram, pois são parte do corpo de Cristo. E agora pertencem a ele, que foi ressuscitado para que nós possamos viver uma vida útil no serviço de Deus. Pois, quando vivíamos de acordo com a nossa natureza humana, os maus desejos despertados pela lei agiam em todo o nosso ser e nos levavam para a morte. Porém agora estamos livres da lei porque já morremos para aquilo que nos mantinha prisioneiros. Por isso somos livres para servir a Deus não da maneira antiga, obedecendo à lei escrita, mas da maneira nova, obedecendo ao Espírito de Deus.

Neste primeiro parágrafo do capítulo sete, vemos Paulo fazendo uma analogia para provar que a “lei” só tinha domínio sobre uma pessoa que vivia sob a obediência dela enquanto vivesse; quando a pessoa morresse, a lei perdia o seu vigor. Em sua analogia ele fala da mulher casada que, segundo a lei, enquanto o seu marido viver, está ela ligada ao marido pela lei, mas, se o marido morrer, ela estará livre da lei conjugal, podendo casar-se novamente, (v.1-3). 

O mesmo acontece com vocês, meus irmãos. (v.4), aqui está um conectivo de comparação, isto é, através da frase "o mesmo acontece com vocês, meus irmãos", Paulo está comparando os crentes, (meus irmãos), a mulher citada no versículo acima, (1-3 ). E continua “ Do ponto de vista da lei, vocês também já morreram, pois são parte do corpo de Cristo.”  

O assunto continua no próximo parágrafo, mas observe principalmente no versículo 7 o que Paulo diz: 

O que vamos dizer então? Que a própria lei é pecado? É claro que não! Mas foi a lei que me fez saber o que é pecado. Pois eu não saberia o que é a cobiça se a lei não tivesse dito: “Não cobice."  

Até aqui, Paulo esclarece que a lei não é pecado, mas que a lei é quem aponta para o que é pecado, e uma vez que a pessoa que vive sob a lei tomou conhecimento que fazer isso ou aquilo é pecado, porque a lei assim o diz, torna-se transgressor da lei, se violar o que ela diz, cometendo, portanto, o pecado. Ao cometer o pecado, os efeitos do pecado vem sobre o transgressor, e vai levá-lo a morte, (veja v.9 e compare com 6:23).

Vamos então, terminar de ler o versículo 7: “ Pois eu não saberia o que é a cobiça se a lei não tivesse dito: “Não cobice." Paulo citou aqui o décimo mandamento. Aqui está uma grande prova de que, quando Paulo usa a palavra “lei” ele não se refere a uma tal de lei cerimonial apenas, como pensam alguns, basta consultarmos os Dez Mandamentos (que alguns chamam de lei moral ), para vermos que Paulo citou aqui um dos dez:

l > Não adore outros deuses; adore somente a mim.
ll > Não faça imagens de nenhuma coisa que há lá em cima no céu, ou aqui embaixo na terra, ou nas águas debaixo da terra . Não se ajoelhe diante de ídolos, nem os adore, pois eu, o Senhor, sou o seu Deus e não tolero outros deuses. Eu castigo aqueles que me odeiam, até os seus bisnetos e trinetos. 6Porém sou bondoso com aqueles que me amam e obedecem aos meus mandamentos e abençoo os seus descendentes por milhares de gerações.
lll> Não use o meu nome sem o respeito que ele merece; pois eu sou o Senhor, o Deus de vocês, e castigo aqueles que desrespeitam o meu nome.
IV> Guarde o sábado, que é um dia santo. Faça todo o seu trabalho durante seis dias da semana; 10mas o sétimo dia da semana é o dia de descanso, dedicado a mim, o Senhor, seu Deus. Não faça nenhum trabalho nesse dia, nem você, nem os seus filhos, nem as suas filhas, nem os seus escravos, nem as suas escravas, nem os seus animais, nem os estrangeiros que vivem na terra de vocês. Em seis dias eu, o Senhor, fiz o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles, mas no sétimo dia descansei. Foi por isso que eu, o Senhor, abençoei o sábado e o separei para ser um dia santo.
V> Respeite o seu pai e a sua mãe, para que você viva muito tempo na terra que estou lhe dando.
Vl> Não mate.
Vll> Não cometa adultério.
Vlll> Não roube.
lX> Não dê testemunho falso contra ninguém.
X>> Não cobice a casa de outro homem. Não cobice a sua mulher, os seus escravos, o seu gado, os seus jumentos ou qualquer outra coisa que seja dele.>> Este foi o mandamento citado por Paulo NA CARTA AOS ROMANOS 7:7. Pois eu não saberia o que é a cobiça se a lei não tivesse dito: “Não cobice."

Portanto, no trecho de romanos 7:1-7, como em várias outros, em que aparece a palavra lei, não há a divisão entre lei moral e lei cerimonial. Se Paulo cita um dos dez mandamentos (nesse caso, o décimo), significa que ele não fez distinção entre “lei moral” e “lei cerimonial”, porque se a lei da qual ele mesmo fala que estamos livres não envolvesse os 10 mandamentos poderíamos presumir quer ele não se referia a ela. "O fim da lei é Cristo" (Rm10:4). Mas, atenção! Paulo não está se referindo apenas aos 10 Mandamentos. Ele se refere a toda a lei do AT, porque se ele estivesse se referindo apenas aos 10 Mandamentos, significa que poderíamos transgredi-los sem problema. Este exemplo é apenas para mostrar que não existe na Bíblia divisão entre “lei moral” e “lei cerimonial”. Estamos livres apenas dos preceitos da lei do AT que não foram repetidos no NT. 


A LEI DE MOISÉS OU A LEI DE DEUS? 
Há os que afirmam, ainda, que existem  a lei de Moisés e a lei de Deus, insinuando que tratam-se de leis diferentes, sendo que a lei de Deus, os dez mandamentos, foi colocada dentro da arca, e a lei de Moisés foi colocada fora da arca, mas essa ideia também é estranha, a luz da Bíblia. Por favor confira em sua Bíblia os seguintes textos Ne 8:1,2,8,14,18. Observe que as expressões “lei de Deus” e “lei de Moisés”, são mencionadas para designarem a mesma lei. 

Leia ainda Mt.22:37-39, onde Jesus ensina que os dois “maiores mandamentos da lei” são: "Amarás O Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento." e "Amarás o teu próximo como ati mesmo" ( ARA ). Observe que Jesus citou as passagens de Dt 6:5 e Lv 19:18, as quais não fazem parte da chamada lei “moral”, porém não é feita nenhuma distinção entre a lei, como se a lei de Moisés fosse menos importante que a lei de Deus, e ainda destacou que são os dois maiores mandamentos.

Sugiro que o leitor leia a carta escrita aos Gálatas, principalmente a partir do capítulo 3, na qual o apóstolo Paulo ensina que a fé em Cristo suplantou a lei. Alguns só sabem dizer que a lei que foi abolida por Cristo foi a “lei cerimonial”, mas, como já ficou provado, a luz da própria Bíblia, não existe essa divisão, senão na mente deles. A realidade é que os crentes judaizantes, estavam tentando impor aos crentes da Galácia, a prática da circuncisão, e as responsabilidades da lei mosaica como elementos necessários à salvação, (Gl 1:7; 4:12)

É forçoso alguns agirem semelhante aos judaizantes da Galácia, afirmando que o cristão deve observar a lei do AT para ser salvo. O cristão é salvo pela graça. Graça é um favor imerecido. A graça de Deus dá algo que não conseguiríamos de outra forma, pois não tínhamos condições de merece-la; Deus, por meio de Cristo, nos concede este favor, e nós recebemos este favor quando cremos em Cristo e em sua obra de redenção. O apóstolo João parece entender bem isso quando diz em seu evangelho: "Porque todos nós temos recebido de sua plenitude e graça. Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo" ( Jo 16:17).

O PACTO QUE DEUS FEZ COM ISRAEL E O PACTO QUE DEUS FEZ COM A IGREJA

Deus fez uma aliança com Abraão e confirmou esta aliança com os seus filhos Isaque e Jacó. Em Êx 19:5, encontramos o Senhor ratificando o concerto com a descendência de Abraão, a nação de Israel: "Agora, se me obedecerem fielmente e guardarem a minha aliança, vocês serão o meu tesouro pessoal dentre todas as nações. Embora toda a terra seja minha". 
A palavra traduzida por aliança no AT, é “berit”, palavra hebraica que significa “aliança”, “pacto” ou “concerto”. Como qualquer leitor da Bíblia pode ver, o Antigo Concerto foi estabelecido entre Deus e Israel, (Êx19:1-6) e os Dez Mandamentos, entre os quais está a observância do sábado, o 4º mandamento, faziam parte do antigo Concerto, (Dt 4:12,13; 9:8; Êx 34:27,28). Aliás, não só os Dez Mandamentos como toda lei em si, como já constatamos acima. 

O primeiro pacto foi invalidado!

 A nação de Israel não cumpriu a sua parte na aliança e violou a lei. Deus levanta, então, os profetas para exortarem a nação a obedecer a lei de Deus, ou enfrentar a disciplina anunciada pelos representantes de Deus. A punição foi inevitável tendo em vista que a nação permaneceu obstinada (2 Rs 17:7-23). Através de Jeremias, Deus então promete estabelecer um Novo Concerto:

Estão chegando os dias, declara o SENHOR, quando farei uma nova aliança com a comunidade de Israel e com a comunidade de Judá. Não será como a aliança que fiz com os seus antepassados quando os tomei pela mão para tirá-los do Egito; porque quebraram a minha aliança, apesar de eu ser o SENHOR deles, diz o SENHOR. Esta é a aliança que farei com a comunidade de Israel depois daqueles dias, declara o SENHOR: Porei a minha lei no íntimo deles e a escreverei nos seus corações. Serei o Deus deles, e eles serão o meu povo” ( Jr 31:31-34).



O novo pacto foi estabelecido!
 

Com a morte de Cristo na cruz, foi estabelecido o Novo Concerto prometido por Deus. É disso que Jesus está falando quando diz: “Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado em favor de vós” ( Lc 22:20; 1 Co11:25 ).

Já que o novo Concerto foi estabelecido, então, o Antigo foi desfeito, perdeu seu valor normativo, consequentemente, a lei que era baseada no Antigo Concerto, também não vigora. È interessante notar alguns aspectos dos dois concertos: O primeiro concerto foi estabelecido entre Deus e Israel, (Êx.19:5). O projeto de Deus incluía os judeus primeiramente (Jo 1:11-13), mas não apenas eles, também as pessoas de outras nações. O segundo foi estabelecido entre Deus e a Igreja, (Mt.16:18). No primeiro, a base da relação entre o povo e Deus é jurídica, tendo por base os preceitos da lei. No segundo, a base da relação entre o fiel e Deus, é a fé em Cristo que o leva a Deus na condição de filho. É uma relação familiar.

O Antigo Concerto foi abolido, (Hb.8:6-13; 10:7-9; 12:18-24), enquanto o Novo vigora para sempre a partir da cruz.



VOCÊ DE NOVO, PAULO?


O que Paulo tem em mente ao dizer essas palavras, afinal? Qual é a intenção de Paulo ao dizer o que disse em 1 Co 3:7-16? Por favor leia observando principalmente as partes em destaque.Compare em sua Bíblia.

O texto está em 1 Coríntios 3:7-16

"E, se O MINISTÉRIO DA MORTE, gravado com letras em pedras, veio em glória, de maneira que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos na face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, a qual era transitória, como não será de maior glória o MINISTÉRIO DO ESPÍRITO?

Porque, se O MINISTÉRIO DA CONDENAÇÃO foi glorioso, muito mais excederá em glória o MINISTÉRIO DA JUSTIÇA. Porque também o que foi glorificado nesta parte não foi glorificado, por causa desta EXCELENTE GLÓRIA. Porque, se O QUE ERA TRANSITÓRIO foi para glória, muito mais é em glória O QUE PERMANECE. Tendo, pois, tal esperança, usamos de muita ousadia no falar.

E não somos como Moisés, que punha um véu sobre a sua face, para que os filhos de Israel não olhassem firmemente para o fim DAQUILO QUE ERA TRANSITÓRIO. MAS OS SEUS SENTIDOS FORAM ENDURECIDOS; porque até hoje o mesmo véu está por levantar na lição do velho testamento, o qual foi por Cristo abolido; E ATÉ HOJE, QUANDO É LIDO MOISÉS, O VÉU ESTÁ POSTO SOBRE O CORAÇÃO DELES. Mas QUANDO SE CONVERTEREM AO SENHOR então o véu se tirará."

 

Observe como é simples para Paulo, o apóstolo, fazer uma comparação entre a nova aliança (novo testamento) e  a antiga aliança (antigo testamento). Lembra do que leu acima sobre isso? Pois então, vamos lá:
Paulo chama o Antigo Testamento aqui de:
MINISTÉRIO DA MORTE - MINISTÉRIO DA CONDENAÇÃO - O QUE ERA TRANSITÓRIO - MOISÉS.

Quanto ao Novo Testamento ele classifica como:

MINISTÉRIO DO ESPÍRITO - MINISTÉRIO DA JUSTIÇA - EXCELENTE GLÓRIA - O QUE PERMANECE.

Porém, além dessa clara distinção, Paulo deixa claro que o Antigo Testamento foi por Cristo abolido; quem se preocupa em ficar lendo a lei está com o véu sobre o entendimento, ele diz, e finaliza dizendo que QUANDO SE CONVERTEREM o véu será tirado, ou seja, passarão a compreender. Você que insiste em observar a lei do AT para ser salvo, ou para ensinar doutrinas contidas na lei do AT, as quais não são ensinadas como doutrina para a igreja, devia observar com muito cuidado o que o apóstolo está dizendo aqui.


SEGUE O MESMO TEXTO NA NVI:

O MINISTÉRIO QUE TROUXE A MORTE foi gravado com letras em pedras; mas esse ministério veio com tal glória que os israelitas não podiam fixar os olhos na face de Moisés por causa do resplendor do seu rosto, ainda que desvanecente.
Não será o ministério do Espírito ainda muito mais glorioso?

Se era glorioso O MINISTÉRIO QUE TROUXE A CONDENAÇÃO, quanto mais glorioso será o ministério que produz justiça! Pois o que outrora foi glorioso, agora não tem glória, em comparação com a glória insuperável.E se o que estava se desvanecendo se manifestou com glória, quanto maior será a glória do que permanece! Portanto, visto que temos tal esperança, mostramos muita confiança.

Não somos como Moisés, que colocava um véu sobre a face para que os israelitas não contemplassem o resplendor que se desvanecia.

Na verdade AS MENTES DELES FECHARAM, pois ATÉ HOJE O MESMO VÉU PERMANECE QUANDO É LIDA A ANTIGA ALIANÇA. Não foi retirado, porque é somente em Cristo que ele é removido. DE FATO, ATÉ O DIA DE HOJE, QUANDO MOISÉS É LIDO UM VÉU COBRE OS SEUS CORAÇÕES. MAS QUANDO ALGUÉM SE CONVERTE AO SENHOR O VÉU É TIRADO

ENTÃO, O ANTIGO TESTAMENTO NÃO SERVE PARA NADA?

Acredito que o que foi exposto acima acerca da lei no Novo Testamento é suficiente para esclarecer de uma vez por todas que o cristão não é obrigado a observar a lei do AT. Isso, obviamente não significa que o AT não serve para nada, serve sim! Paulo, ao escrever a sua segunda carta a Timóteo disse:

Pois toda a Escritura sagrada é inspirada por Deus e útil para ensinar a verdade, condenar o erro, corrigir as faltas e ensinar a maneira certa de viver” (2 Tm 3:16)

Sabemos que Paulo está se referindo ao Antigo Testamento porque, na ocasião em que redigiu esta carta, o Novo Testamento ainda não tinha sido completamente escrito e a canonização do Novo Testamento só se completaria no ano 397 d.C., o que significa que os ensinos do Antigo Testamento não estão descartados, pelo contrário, eles servem para “o ensino da verdade, condenação do erro, correção das faltas e o ensino da maneira certa de viver”, afinal, o apóstolo Paulo está escrevendo para Timóteo, que era cristão. Como ficam as doutrinas do dízimo e da guarda do sábado, as quais são ensinadas no Antigo Testamento?

Primeiro que o mesmo Paulo que disse “O fim da lei é Cristo” (Rm10: 4), não diria o contrário agora, e ele realmente não está fazendo isso, o que seria um contra-senso e suas palavras se chocariam, também, com os ensinamentos de Cristo quando disse: “A lei e os profetas vigoraram até João; desde esse tempo vem sendo anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem se esforça por entrar nele” (Lc16; 16. ARA).

Em segundo lugar não temos como negar que o Antigo Testamento tem realmente muito a nos ensinar sobre muitas coisas. É no Antigo Testamento que encontramos a resposta para a origem do mal, para a situação atual do homem, e se você quer saber, quando Galileu Galilei descobriu que a terra era redonda e não quadrada, como insistia a igreja católica romana, a Bíblia já declarava isso no livro do profeta Isaías (Is 40:22).

Deus revelou muito de si mesmo e de seus propósitos. No AT, encontramos evidências da doutrina da Trindade, aprendemos sobre a natureza dos anjos, filosofia no livro de Jó, ensinos e muitos aconselhamentos nos livros de Eclesiastes e Provérbios, poesia no livro de Cantares de Salomão, podemos ainda constatar o cumprimento de várias profecias relacionadas a Cristo e a nação de Israel, etc., etc., etc. Por acaso não estamos sendo ensinados e educados na justiça quando aprendemos estas coisas, e muito mais, no AT? Claro que sim! Portanto, de forma alguma o Antigo Testamento está sendo descartado e não pode ser desconsiderado.

Dicas para ler o AT.

Devemos ter em mente que nem tudo o que foi ordenado por Deus no Antigo Testamento serve para nós, cristãos de hoje. Torne-se um leitor cuidados e um ouvinte atento porque tem muita gente pegando trechos ai do AT com experiências dos personagens querendo transformar em doutrina. Quantas vezes não ouvimos os pregadores da doutrina da prosperidade dizer que "Abraão deu o seu tudo (Isaque) para Deus  e que, por isso Deus o honrou a fé dele, de maneira que você deve dar o seu tudo  (seus bens, seu dinheiro etc.) também para Deus ciente de que Deus vai honrar a sua fé"? É claro que é uma heresia! Ainda que uma voz vinda do mundo espiritual lhe fale aos ouvidos,  você, mesmo assim, precisa ter certeza se realmente é Deus quem está falando com você, porque pode muito bem não ser; imagina um ser humano falando como se fosse porta voz direto de Deus, mas será que foi mesmo Deus quem mandou ele dizer tais coisas para a igreja? Para você? Do jeito que a coisa está bagunçada, escândalo e mais escândalo no mundo da fé evangélica, creio que Deus seria muito cauteloso neste aspecto.

Se alguém me pedisse uma sugestão eu diria o seguinte: aprenda a ler a Bíblia em versões modernas como a NTLH, NVI, Bíblia Viva, para uma compreensão mais rápida do texto. Compre livros sérios de hermenêutica biblica. Faça uso de comentários sérios. Descubra a cronologia dos fatos, afinal, os próprios livros das Bíblias protestantes não estão classificados em ordem cronológica. Por exemplo, o livro de Malaquias não foi o último livro a ser escrito no AT. A Livro A Bíblia através dos séculos de Antônio Gilberto pode lhe ajudar nesse sentido. Pesquise mais. Mais algumas dicas dicas abaixo.

Como devemos proceder quando estivermos lendo o Antigo Testamento? Como sabermos o que ainda é válido para nós hoje como doutrina, e o que serviu apenas para as pessoas daquela época a quem Deus se dirigiu?

Parte da resposta a estas perguntas já foi dada ao falar sobre o quanto aprendemos no AT. Não devemos achar que de fato Paulo se refere a “tudo” o que está escrito no Antigo Testamento, quando usa a expressão 'Toda a Escritura “. Devemos nos lembrar, por exemplo, quando o apóstolo Paulo, ao advertir os crentes de Colossos sobre” falsas doutrinas “, fala de práticas que eram ensinadas no AT: "Portanto ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber ou por causa dos dias de festas, ou da lua nova, ou dos sábados “(Cl2: 16). Ele jamais quer dizer, por exemplo, que tudo o que está na lei do Antigo Testamento, onde encontramos também a fundamentação para a doutrina do dízimo obrigatório, e para a doutrina do sábado, nos é útil para a vida cristã, uma vez que ele mesmo já havia dito:” Todos aqueles pois que são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque escrito está: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei para faze-las “(Gl 3:10).

Devemos procurar entender se o escritor não está apenas narrando um fato, ou se há, realmente, uma ordem de Deus para que se obedeça ao que ele propõe. Se não houver uma ordem de Deus, não é doutrina, e quando houver, devemos procurar saber se tal ordem é válida para nós hoje, ou se foi apenas para as pessoas da época.


A dica de respeitados hermeneutas é que o que determina qual preceito do AT deve ser ou não observado, é o fato de tal preceito ser citado no NT e ordenado a sua observação pela igreja: “Somente aquilo que é explicitamente renovado da lei do Antigo Testamento pode ser considerado parte da ‘lei de Cristo’ no Novo Testamento.” (FEE, Gordon D., e STUART, Douglas. Entendes o que lês? P.141). Portanto, tudo o que for citado e ensinado como doutrina válida para a igreja, deve ser obedecido e não apenas o que for citado.

Observe que citar é uma coisa, ensinar como doutrina é outra coisa. Isso acontece quando se trata da observância do sábado ou da prática de dizimar; apenas os judeus estão obrigados a isso, a igreja, não. Se por um lado, enquanto uma pessoa que nunca leu a Bíblia, nem ouviu alguém ensinar que deixar de dizimar ou de guardar o sábado, é pecado (pois são preceitos locais, válidos somente para judeus e/ou prosélitos), ela não estará pecando por não fazer essas coisas. Por outro lado, ela “sente” que é errado cometer homicídio, roubar, defraudar etc., pois isso é universal; são princípios impregnados por Deus na natureza humana, e que está de acordo com o aspecto moral da lei, a qual expressa o aspecto moral da natureza divina, logo, ela estará pecando sim, se praticar essas coisas.

Por fim, espero sinceramente que o que foi dito até aqui tenha servido para esclarecer melhor a questão da lei do AT no NT. Leia o Novo Testamento todo, de preferência fazendo uso de uma versão fácil de ler como a NTLH ou a NVI, entre outras.

AGRADEÇO POR SUA ATENÇÃO E PACIÊNCIA. HÁ OUTROS TEMAS QUE TALVEZ SEJAM DO SEU INTERESSE.

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Como entender Ml 3:7-10 

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Riqueza: Bênção de Deus ou deus em forma de bênção? 

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PEDRO DESMASCARA OS FALSOS PROFETAS!   

Textos que exigem uma explicação

 

 

 

 

 











 
Meus irmãos, falo a vocês como a pessoas que conhecem a lei. Acaso vocês não sabem que a lei tem autoridade sobre alguém apenas enquanto ele vive?
Por exemplo, pela lei a mulher casada está ligada a seu marido enquanto ele estiver vivo; mas, se o marido morrer, ela estará livre da lei do casamento.
Por isso, se ela se casar com outro homem enquanto seu marido ainda estiver vivo, será considerada adúltera. Mas se o marido morrer, ela estará livre daquela lei, e mesmo que venha a se casar com outro homem, não será adúltera.
Assim, meus irmãos, vocês também morreram para a lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerem a outro, àquele que ressuscitou dos mortos, a fim de que venhamos a dar fruto para Deus.
Pois quando éramos controlados pela carne, as paixões pecaminosas despertadas pela lei atuavam em nossos corpos, de forma que dávamos fruto para a morte.
Mas agora, morrendo para aquilo que antes nos prendia, fomos libertados da lei, para que sirvamos conforme o novo modo do Espírito, e não segundo a velha forma da lei escrita.
Romanos 7:1-6
Meus irmãos, falo a vocês como a pessoas que conhecem a lei. Acaso vocês não sabem que a lei tem autoridade sobre alguém apenas enquanto ele vive?
Por exemplo, pela lei a mulher casada está ligada a seu marido enquanto ele estiver vivo; mas, se o marido morrer, ela estará livre da lei do casamento.
Por isso, se ela se casar com outro homem enquanto seu marido ainda estiver vivo, será considerada adúltera. Mas se o marido morrer, ela estará livre daquela lei, e mesmo que venha a se casar com outro homem, não será adúltera.
Assim, meus irmãos, vocês também morreram para a lei, por meio do corpo de Cristo, para pertencerem a outro, àquele que ressuscitou dos mortos, a fim de que venhamos a dar fruto para Deus.
Pois quando éramos controlados pela carne, as paixões pecaminosas despertadas pela lei atuavam em nossos corpos, de forma que dávamos fruto para a morte.
Mas agora, morrendo para aquilo que antes nos prendia, fomos libertados da lei, para que sirvamos conforme o novo modo do Espírito, e não segundo a velha forma da lei escrita.
Romanos 7:1-6